Aqui, todos começam a ser ventos...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Como são lindas! Tão vermelhas!

        
           Essa semana lembrei-me da música (do trecho) de Chico Buarque: "Todo dia ela faz tudo sempre igual..." Estava na casa da vovó sentada à mesa com ela, a tardinha, no horário de sempre, às 15:30. Ela tomando sua chícara de café com bastante leite e bolachas, que não são nem doces e nem salgadas, sentada sempre no mesmo lugar da mesa, que fica de frente a uma janelinha que dá vista para o quintal, onde tem duas frondosas aceroleiras. Esperei que ela comesse tudo e, como sempre, me pedisse mais um pouco de café, dessa vez sem leite e após isso chamar a minha atenção e dizer: 
          -Olha como são lindas as acerolas! Tão vermelhas!
         Todos os dias ela me mostrava, mas fora a primeira vez que de fato observei como eram lindas as acerolas, tão vermelhas! Fiquei feliz por ter visto o que tanto queria me mostrar. Ficamos as duas lá, olhando as acerolas, eu a primeira vez, ela incontáveis vezes, com os mesmos olhos.

Um comentário:

Maurileni Moreira disse...

bela eduarda! lindo este conto! de verdade. este momento. esta transição de olhares.