Aqui, todos começam a ser ventos...

domingo, 12 de junho de 2011

Belezas de Beauvoir


"... as palavras precipitavam-se em meus lábios e em meu peito giravam mil sóis; num clarão ofuscante de alegria, disse a mim mesma: Ela é que me faltava. (...)Deixei-me enlevar por essa alegria que rebentava em mim, violenta e fresca como a água das cascatas, nua como o belo granito. (...)Não concebia nada mais belo no mundo do que ser eu mesma e gostar de Zaza"
Simone de Beauvoir em 'Memórias de uma moça bem-comportada'

domingo, 24 de abril de 2011

Cotidiano



- O que você acha bonito em você?
- Bom, as pessoas dizem que minha sobrancelha é bonita e...
- Perguntei de você.. Isso é o que os outros dizem.
- Eu gosto as vezes do meu cabelo.
- Você é linda
- Isso é o que você diz!
As duas se olham, mas ela permanece a navegar nas suas inseguranças, como naufraga num bote.
- Você costuma se arrepender?
- Eu me arrependo todos os dias...

terça-feira, 29 de março de 2011



Todos os papéis no chão esgarçados como quem faz questão de ser acusada pelo crime...
Tomei um banho e lavei o meu corpo com muita água...
Deitei e lavei a minha alma com muitas lágrimas...
Ela veio no meio da noite e estuprou a minha individualidade.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Insegurança...

     
        Pareciam pingos incessantes suas atitudes, pausadas, pensadas... Ela queria era pensar menos, mas ele a colocava constantemente no campo da reflexividade. Ela só queria levezas, sorrisos desmedidos, palavras impensadas. Mas andava pisando em ovos... Com ele, era involuntariamente calculista.






Escrito em 19/10/10

domingo, 9 de janeiro de 2011

Uma cartinha.

      Recebi uma linda carta da amiga Maurileni, de imediato imaginei uma carta como as outras, tipo texto, mas ela é poesia e não poderia ser convencional. Um monte de triângulos e lindas mensagens. Olha, esse é o meu sinal, amei, alma castanha sempre me surpreende!
      Adorei os desenhos, deu vontade de pegar todos os balões e voar presa nas linhas, alçada em palavras significativas.       
       Lembrei de um monte de coisas como o meu estranhamento ao te ouvir me chamar de Duda, todos me chamam assim, mas vindo de você, parece que não sou eu. Você me fez Eduarda, assim como vento. Nós vento... Vi que, em seus dizeres encaixados, falavas de ti também, fiquei confusa com alguns verbos conjugados no pretérito, mas entendi que as coisas acontecem por uma razão, na sua maneira de ser ou de des-ser.
      Cantarei pra você, contarei histórias, te farei um afago, nossa amizade é linda!
      É amor o que te tenho.






     Você sol, eu ainda vento.